Seguros automóvel: o que as seguradoras não contam sobre as novas regras e como poupar sem comprometer a proteção

Seguros automóvel: o que as seguradoras não contam sobre as novas regras e como poupar sem comprometer a proteção
O setor dos seguros automóvel está a atravessar uma revolução silenciosa. Enquanto os portugueses se preocupam com o aumento dos prémios, que subiram em média 8% no último ano segundo dados da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, as seguradoras preparam-se para mudanças profundas nas regras do jogo. A nova Diretiva da União Europeia sobre distribuição de seguros, que entra em vigor em 2024, promete alterar radicalmente a forma como contratamos proteção para os nossos veículos.

A verdade é que muitos condutores desconhecem que já podem personalizar os seus seguros de forma mais flexível. As apólices por quilómetro percorrido, que pareciam uma miragem há cinco anos, estão finalmente a ganhar terreno em Portugal. A Luso Seguros e a Tranquilidade já oferecem estas soluções, que podem representar poupanças de até 30% para quem circula menos de 10.000 quilómetros anuais. O segredo está na telemetria: uma pequena caixa preta instalada no veículo que monitoriza os hábitos de condução.

Mas atenção ao que assina. As novas cláusulas de exclusão relacionadas com assistência em viagem estão a tornar-se mais restritivas. Muitas apólices básicas já não cobrem avarias em estradas não pavimentadas ou em situações consideradas 'negligência do condutor', como ficar sem combustível. O Observador revelou recentemente casos de seguradoras que recusaram reboques porque os sinistros ocorreram a menos de 500 metros de postos de abastecimento.

A digitalização trouxe oportunidades e armadilhas. As comparações online permitem poupar tempo e dinheiro, mas os especialistas da Revista dos Seguros alertam para os 'preços isco' - valores inicialmente baixos que aumentam significativamente após a introdução de todos os dados do condutor e do veículo. A Autoridade de Supervisão já multou três comparadores por práticas comerciais desleais neste âmbito.

Os seguros automóvel estão a tornar-se cada vez mais inteligentes. A Allianz introduziu recentemente uma funcionalidade que permite ativar coberturas adicionais através de uma aplicação móvel, apenas quando necessário. Quer levar o carro para uma viagem de fim de semana à serra? Ative a cobertura para danos causados por animais selvagens por apenas 2 euros diários. Esta 'uberização' dos seguros promete revolucionar o mercado, mas levanta questões sobre a fragmentação da proteção.

O maior desafio, contudo, está na eletrificação da frota automóvel. Os veículos elétricos representam um paradoxo para as seguradoras: são mais seguros estatisticamente, mas os custos de reparação são 30% superiores aos dos veículos convencionais. A bateria de um Tesla Model 3 pode custar mais de 15.000 euros para substituir, um valor que muitas vezes excede o valor comercial do veículo com alguns anos de uso. As seguradoras ainda não encontraram uma fórmula equilibrada para estes riscos, resultando em prémios desproporcionadamente altos para veículos elétricos usados.

A sustentabilidade entrou definitivamente no vocabulário das seguradoras. A Fidelidade lançou um desconto de 5% para condutores de veículos elétricos, enquanto a Ageas oferece condições especiais para quem instala pontos de carregamento em casa com certificação energética. Estas iniciativas, embora positivas, escondem uma realidade menos verde: as seguradoras continuam a investir milhões em empresas de combustíveis fósseis através das suas carteiras de investimento.

Os jovens condutores enfrentam o dilema mais cruel. Com prémios que podem ultrapassar os 1.000 euros anuais para um primeiro seguro, muitos optam por ficar como segundos condutores nos seguros dos pais - uma prática tecnicamente ilegal se forem os principais utilizadores do veículo. As seguradoras começam a combater esta fraude com sistemas de verificação cruzada e análise de padrões de utilização.

O futuro passa pela personalização extrema. A startup portuguesa Coverflex está a desenvolver um sistema de seguros modulares onde o condutor pode escolher entre dezenas de coberturas específicas, desde proteção para equipamento desportivo no porta-bagagens até seguro para carregadores de veículos elétricos portáteis. Esta abordagem 'à la carte' promete democratizar o acesso a proteções que antes estavam reservadas a apólices premium.

A regra de ouro mantém-se: ler as letras pequenas. A última alteração legislativa permite que as seguradoras ajustem automaticamente os prémios com base em fatores como a zona de residência ou a evolução dos sinistros na área. Sem uma revisão anual da apólice, podemos estar a pagar mais por menos proteção. A transparência tornou-se a palavra-chave num mercado em transformação acelerada.

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