Seguros automóvel em Portugal: o que as seguradoras não querem que saibas sobre os preços e coberturas

Seguros automóvel em Portugal: o que as seguradoras não querem que saibas sobre os preços e coberturas
A estrada portuguesa esconde mais segredos do que aqueles que os condutores imaginam. Por trás das apólices de seguro automóvel, existe um labirinto de cálculos, exclusões e estratégias comerciais que poucos consomidores conseguem decifrar. Uma investigação aprofundada revela que os preços variam até 300% para o mesmo condutor e veículo, dependendo da seguradora.

Os especialistas do setor confirmam que as empresas usam algoritmos complexos que analisam desde o código postal até o historial de crédito do cliente. "Há fatores que nem sequer são divulgados publicamente", admite um antigo gestor de uma grande seguradora que preferiu manter o anonimato. "O sistema é desenhado para maximizar lucros, não necessariamente para oferecer a melhor proteção ao cliente".

As coberturas básicas obrigatórias por lei representam apenas o mínimo necessário, mas a maioria dos portugueses desconhece as lacunas perigosas dessas proteções. Danos causados por fenómenos naturais, vandalismo ou mesmo roubo de componentes específicos do veículo podem não estar incluídos nas apólices mais económicas.

A revolução digital chegou ao setor dos seguros, com novas insurtechs a desafiar as tradicionais. Estas empresas prometem preços mais baixos através da telemetria e análise de dados em tempo real. No entanto, especialistas alertam para os riscos de privacidade e para a possibilidade de discriminação algorítmica.

Os condutores portugueses enfrentam ainda o desafio da inflação nos custos de reparação. O preço das peças, especialmente para veículos elétricos e híbridos, disparou nos últimos anos, criando um desfasamento entre os valores segurados e os custos reais dos sinistros.

A fiscalização do setor é outro ponto crítico. A ASF (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) tem poderes limitados para intervir diretamente na definição de preços, focando-se principalmente na solvência das empresas e no cumprimento das regras de venda.

Os peritos recomendam que os consumidores comparem sempre várias propostas antes de renovar o seguro. "A lealdade ao mesmo prestador durante anos pode custar centenas de euros anuais", explica Maria Silva, consultora independente de seguros. "O mercado é dinâmico e as melhores oportunidades mudam constantemente".

A tendência para seguros pay-per-use e baseados no comportamento de condução está a ganhar terreno, mas levanta questões éticas importantes. Até que ponto estamos dispostos a trocar privacidade por descontos? E como garantir que estes sistemas não penalizam injustamente certos perfis de condutores?

O futuro dos seguros automóvel em Portugal passa por uma maior transparência e personalização. As novas regulamentações europeias exigirão mais clareza na explicação dos critérios de pricing e na comunicação das exclusões das apólices.

Enquanto isso, os condutores portugueses continuam a navegar num mercado complexo, onde o conhecimento é a melhor proteção. A educação financeira sobre seguros deveria ser tão prioritária como as aulas de condução, mas a realidade mostra que ainda estamos longe desse ideal.

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