Seguro automóvel: o que as seguradoras não contam sobre os seus preços e como poupar centenas de euros

Seguro automóvel: o que as seguradoras não contam sobre os seus preços e como poupar centenas de euros
Num país onde o seguro automóvel é obrigatório, os portugueses desembolsam anualmente milhares de euros sem saber exatamente o que estão a pagar. As seguradoras falam em riscos, estatísticas e coberturas, mas raramente explicam como os preços são realmente calculados. A verdade é que muitos fatores ocultos determinam o valor da sua apólice, e conhecê-los pode significar poupanças significativas.

Investigações recentes revelam que o código postal continua a ser um dos elementos mais determinantes no cálculo do prémio. Um condutor com o mesmo carro, idade e histórico pode pagar até 40% mais por viver num bairro considerado de "alto risco". Curiosamente, estas classificações raramente são atualizadas e baseiam-se em dados com mais de cinco anos, penalizando zonas que já não apresentam os mesmos índices de sinistralidade.

Outro segredo bem guardado pelas seguradoras é o impacto dos dados telemáticos. Aquelas caixas pretas que prometem descontos para condutores cuidadosos estão a recolher muito mais informação do que anunciam. Além da velocidade e da travagem, monitorizam os horários de condução, os trajetos habituais e até os locais onde estaciona regularmente. Tudo isto é usado para criar um perfil de risco detalhado que pode ser usado contra si na renovação.

A idade do veículo é outro fator que merece atenção. Enquanto as seguradoras justificam preços mais altos para carros novos pelo seu maior valor, a realidade é que os modelos com menos de três anos têm sistemas de segurança avançados que reduzem drasticamente a gravidade dos acidentes. Estudos independentes mostram que estes veículos deveriam beneficiar de descontos superiores aos praticados atualmente.

Os portugueses também desconhecem que negociar pode fazer a diferença. Ao contrário do que muitos pensam, os preços das seguradoras não são fixos. Um levantamento junto de mediadores de seguros revela que 68% das apólices têm margem para negociação, especialmente se o cliente apresentar propostas concorrentes. A chave está em saber comparar coberturas equivalentes, não apenas preços.

A franquia é outra área onde os consumidores perdem dinheiro. A maioria escolhe valores baixos para "estar mais protegida", mas não faz as contas: aumentar a franquia de 250 para 500 euros pode reduzir o prémio anual em 15-20%. Considerando que a maioria dos acidentes tem danos inferiores a 500 euros e que muitos condutores passam anos sem sinistros, esta estratégia compensa na maioria dos casos.

As coberturas adicionais representam outro campo minado. Seguro para vidros, assistência em viagem ou proteção jurídica são vendidos como indispensáveis, mas a verdade é que muitos destes serviços já estão incluídos noutros produtos que o cliente pode ter, como cartões de crédito premium ou associações automóveis. Verificar estas duplicações pode significar poupanças imediatas.

A renovação automática é a maior armadilha financeira no mercado de seguros. Dados da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões mostram que os clientes que renovam automaticamente pagam em média 22% mais do que os que mudam de seguradora. O motivo é simples: as companhias contam com a inércia dos clientes e aumentam os preços gradualmente, sabendo que a maioria não vai comparar alternativas.

A digitalização trouxe novas oportunidades, mas também novos riscos. As plataformas online que prometem comparações instantâneas nem sempre mostram todas as opções disponíveis no mercado, privilegiando as seguradoras que pagam comissões mais altas. O conselho dos especialistas é claro: use estas ferramentas como ponto de partida, mas consulte sempre um mediador independente para ter a visão completa do mercado.

Finalmente, o timing da contratação faz mais diferença do que imagina. Contratar o seguro 30 dias antes do vencimento da apólice atual pode render descontos de até 12%, segundo dados do setor. As seguradoras valorizam a previsibilidade e estão dispostas a oferecer melhores condições a quem planeia com antecedência.

A conclusão é clara: o seguro automóvel em Portugal é um mercado opaco onde a informação é poder. Conhecer os mecanismos ocultos de precificação, questionar as práticas estabelecidas e comparar sistematicamente alternativas não são apenas direitos do consumidor - são ferramentas essenciais para poupar centenas de euros todos os anos. O segredo não está em encontrar a seguradora mais barata, mas em entender como o sistema funciona para fazer as escolhas mais inteligentes.

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