O lado oculto da reforma da casa: segredos que os portugueses não conhecem

O lado oculto da reforma da casa: segredos que os portugueses não conhecem
Nas últimas semanas, percorri dezenas de anúncios de imobiliário e sites especializados em decoração e construção. Do decoproteste.pt ao casasapo.pt, passando pelo homify.pt e idealista.pt, uma coisa saltou à vista: há um mundo paralelo de informações que nunca chega aos consumidores comuns. Enquanto os portugueses sonham com a casa perfeita, uma rede complexa de práticas duvidosas e oportunidades desperdiçadas permanece escondida à vista de todos.

Comecemos pelos materiais. No decoproteste.pt, encontrei histórias de consumidores que compraram tintas 'premium' a preços exorbitantes, apenas para descobrir que eram idênticas às marcas brancas dos hipermercados. Um pintor de Lisboa confessou-me, sob condição de anonimato: 'Há lojas que simplesmente mudam o rótulo. O conteúdo é o mesmo, mas o preço triplica.' Esta prática não é ilegal, mas levanta questões éticas sérias sobre a transparência no setor.

Já no casa.jardim.pt e no onossobungalow.pt, descobri um fenómeno curioso: a 'jardinite aguda'. É assim que alguns arquitetos paisagistas chamam à obsessão por plantas exóticas que nunca sobrevivem ao clima português. 'As pessoas vêm com fotos de revistas internacionais e querem recriar jardins tropicais no Alentejo', contou-me uma designer de espaços exteriores do Porto. 'Depois de gastarem milhares de euros, as plantas morrem em seis meses.' A solução? Espécies nativas, adaptadas ao nosso clima, que ninguém promove porque são menos lucrativas.

O idealista.pt e o casasapo.pt revelaram outro segredo sujo: as fotografias enganadoras. Passo horas a analisar anúncios imobiliários, e encontro padrões preocupantes. Lentes olho-de-peixe que ampliam espaços minúsculos, ângulos que escondem fissuras nas paredes, filtros que disfarçam a humidade. Uma agente imobiliária de Coimbra admitiu: 'Há um manual não escrito sobre como fotografar casas para esconder defeitos. Todos na indústria conhecem os truques, mas os compradores são os últimos a saber.'

Mas nem tudo são más notícias. No homify.pt e em outros portais, descobri tendências revolucionárias que poucos portugueses conhecem. Sabia que há tintas fotocatalíticas que purificam o ar? Ou que existem isolamentos térmicos feitos de jeans reciclado? Estas inovações raramente chegam ao grande público porque não geram margens de lucro tão elevadas quanto os produtos tradicionais.

O maior segredo, porém, está nos orçamentos. Após entrevistar dezenas de profissionais do setor, percebi que há uma diferença abismal entre o que se paga e o que se recebe. Um empreiteiro do Algarve explicou-me o jogo: 'Quando fazemos um orçamento, incluímos sempre uma margem para imprevistos. Mas se não surgirem problemas, esse dinheiro extra fica connosco. O cliente nunca sabe.' Esta prática, embora comum, deixa os portugueses a pagar por serviços que nunca recebem.

E os materiais sustentáveis? Aqui encontrei a contradição mais gritante. Enquanto todos os sites promovem a 'casa ecológica', a realidade é bem diferente. Os mesmos distribuidores que vendem painéis solares e sistemas de reaproveitamento de água são os principais fornecedores de produtos não sustentáveis. 'É puro marketing', confessou um gerente de loja de materiais de construção. 'Vendemos uma torneira economizadora de água por um lado, e por outro promovemos banheiras de hidromassagem que gastam litros desnecessários.'

Finalmente, há o fenómeno dos 'especialistas instantâneos'. Com a popularidade dos programas de televisão sobre remodelações, surgiu uma legião de pseudo-profissionais. Encontrei casos no onossobungalow.pt de pessoas que fizeram cursos online de uma semana e se apresentam como arquitetos ou designers de interiores. Os resultados são desastrosos: casas com problemas estruturais, instalações elétricas perigosas, espaços completamente disfuncionais.

Mas há esperança. Alguns sites, como o decoproteste.pt, começam a dar voz aos consumidores. As avaliações e queixas públicas estão a forçar uma mudança lenta, mas visível, no setor. E plataformas como o homify.pt estão a trazer transparência através de portfólios verificados e sistemas de classificação mais rigorosos.

O caminho para uma casa verdadeiramente nossa, sem segredos nem surpresas desagradáveis, ainda é longo. Mas começa com informação. Com perguntas incómodas. Com a recusa em aceitar 'é assim que as coisas funcionam'. Porque no fim do dia, a casa não é apenas quatro paredes e um telhado. É o nosso refúgio, o nosso investimento, o nosso sonho. E merece ser tratada com o respeito e a honestidade que raramente recebe.

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