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Seguros automóvel em Portugal: o que as seguradoras não querem que saibas sobre os preços

A verdade sobre os seguros automóvel em Portugal está longe de ser transparente. Enquanto as seguradoras apresentam campanhas publicitárias com preços aparentemente baixos, os consumidores continuam a pagar valores que variam absurdamente para o mesmo serviço. Uma análise aprofundada revela que o sector opera com margens de lucro que chegam aos 30%, enquanto os portugueses veem os seus prémios aumentarem ano após ano.

A investigação conduzida junto de várias corretoras e especialistas do sector mostra que os critérios de cálculo dos prémios são uma verdadeira caixa negra. Factores como o código postal, a profissão do condutor e até o modelo específico do veículo podem fazer variar o preço em centenas de euros. Um mesmo condutor com um Volkswagen Golf pode pagar 350 euros numa seguradora e 750 noutra, sem qualquer justificação clara.

Os dados mais recentes da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões revelam que as queixas dos consumidores aumentaram 47% no último ano. As principais reclamações centram-se na falta de transparência nos contratos, nas cláusulas abusivas e nas dificuldades em exercer o direito de resolução. Muitos portugueses só descobrem as limitações da sua apólice quando precisam de usar o seguro.

A revolução digital trouxe algumas melhorias, mas também novos problemas. As plataformas online de comparação de seguros, apesar da sua utilidade, escondem comissões elevadas que são incorporadas nos preços finais. Algumas chegam a receber até 20% do valor do prémio pelas mediações, custos que são naturalmente transferidos para o consumidor final.

Os especialistas consultados alertam para a necessidade de maior regulação no sector. "Estamos perante um mercado oligopolizado onde poucas seguradoras dominam 80% do negócio", explica Maria Silva, economista especializada em seguros. "Esta concentração permite que os preços se mantenham artificialmente altos, prejudicando gravemente os consumidores."

A situação torna-se particularmente preocupante para os condutores jovens e idosos, que enfrentam discriminação tarifária baseada em estereótipos rather than em dados concretos de sinistralidade. Um jovem de 25 anos com carta há 8 anos e sem acidentes paga, em média, o dobro de um condutor de 45 anos com histórico idêntico.

As seguradoras defendem-se argumentando que os preços reflectem o risco real. No entanto, os dados mostram que a sinistralidade tem vindo a diminuir consistentemente nos últimos anos, enquanto os prémios continuam a subir. Entre 2018 e 2023, o número de acidentes rodoviários diminuiu 22%, mas o custo médio dos seguros aumentou 18%.

A solução passa por uma maior literacia financeira dos consumidores e por uma actuação mais firme das autoridades de supervisão. Os portugueses devem comparar minuciosamente as ofertas, ler as letras pequenas dos contratos e exigir transparência total nas comunicações com as seguradoras.

O futuro dos seguros automóvel em Portugal depende da capacidade do sector em adoptar práticas mais justas e transparentes. A tecnologia blockchain e os contratos inteligentes surgem como oportunidades para revolucionar o mercado, eliminando intermediários e garantindo preços mais justos baseados em dados reais de condução.

Enquanto isso não acontece, cabe aos consumidores protegerem-se através da informação e da negociação. Pedir várias simulações, questionar cada euro do prémio e não ter medo de mudar de seguradora são armas poderosas num mercado que ainda tem muito a evoluir em termos de fair play comercial.

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