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Seguros automóvel em Portugal: o que as seguradoras não querem que saiba sobre os seus direitos

Num país onde circulam mais de seis milhões de veículos, os seguros automóvel representam uma despesa obrigatória para todos os condutores. Mas quantos realmente compreendem as letras pequenas das apólices que assinam? A verdade é que, entre cláusulas obscuras e práticas comerciais agressivas, os portugueses estão a perder milhares de euros por ano em seguros mal compreendidos ou desnecessariamente caros.

A primeira grande revelação vem dos dados mais recentes da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF): cerca de 30% dos portugueses nunca compararam o seu seguro automóvel com outras ofertas do mercado. Esta inércia custa-lhes, em média, 150 euros anuais - um valor que, multiplicado por anos de fidelidade à mesma seguradora, se transforma num buraco financeiro considerável.

Mas o problema vai além do preço. As coberturas básicas obrigatórias por lei são frequentemente apresentadas como pacotes completos, quando na realidade deixam de fora situações críticas. O exemplo mais flagrante? A assistência em viagem, frequentemente vendida como essencial, mas que muitos condutores urbanos nunca utilizarão. As seguradoras sabem disto, mas continuam a empacotar serviços desnecessários porque aumentam as margens de lucro.

A verdadeira revolução no sector está a acontecer através das insurtechs - as startups tecnológicas que estão a desconstruir o modelo tradicional. Estas empresas oferecem seguros por quilómetro percorrido, sistemas de monitorização da condução que recompensam os condutores mais seguros, e processos de sinistro totalmente digitais que reduzem o tempo de resolução de semanas para horas. O tradicionalismo das grandes seguradoras portuguesas está a ser posto em causa por quem percebe que o digital não é apenas uma moda, mas uma necessidade.

Outro aspecto pouco divulgado: os direitos dos condutores após um acidente. A maioria desconhece que tem direito a uma viatura de substituição durante o período de reparação, independentemente da culpa do sinistro. Também poucos sabem que podem escolher a oficina onde o veículo será reparado, desde que esta cumpra os requisitos técnicos exigidos pela seguradora. Este desconhecimento generalizado beneficia claramente as seguradoras, que frequentemente direcionam os clientes para oficinas parceiras onde obtêm descontos significativos.

A questão ambiental está a entrar finalmente no mundo dos seguros automóvel. Os veículos elétricos e híbridos não só beneficiam de prémios mais baixos - até 20% menos que os equivalentes a combustão - como estão a forçar uma reavaliação completa dos modelos de risco. A manutenção mais simples e a menor probabilidade de avarias graves estão a criar um novo paradigma na avaliação de seguros.

O futuro próximo trará mudanças ainda mais profundas. A telemetria - a monitorização em tempo real dos hábitos de condução através de dispositivos instalados nos veículos - promete personalizar completamente os prémios de seguro. Quem conduz de forma segura, evita horas de ponta e mantém o veículo em boas condições pagará significativamente menos. Esta revolução dos dados já começou noutros países europeus e chegará a Portugal dentro de dois a três anos, segundo especialistas do sector.

Para o condutor comum, a mensagem é clara: informar-se é poupar. Comparar ofertas anualmente, questionar cada cobertura adicional, e compreender os direitos perante as seguradoras não é apenas uma forma de economizar - é um acto de defesa contra práticas comerciais que contam precisamente com a desinformação dos clientes. Num mercado em transformação acelerada, estar atento deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade financeira.

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