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Seguro automóvel: o que as seguradoras não querem que saibas sobre as novas regras

O setor dos seguros automóveis está em ebulição. Enquanto os portugueses continuam a pagar prémios entre os mais altos da Europa, as seguradoras preparam-se para uma revolução silenciosa que promete mudar tudo. Desde as novas regras de responsabilidade civil até aos seguros por quilómetro, há um mundo de informações que não chega aos consumidores.

A verdade é que a maioria dos condutores assina a apólice sem perceber metade das cláusulas. As letras pequenas escondem detalhes que podem fazer a diferença entre ficar protegido ou enfrentar uma batalha judicial. E com as alterações legislativas que se avizinham, essa lacuna de conhecimento torna-se ainda mais perigosa.

Os seguros por utilização, por exemplo, são apresentados como a solução para quem pouco circula. Mas poucos explicam que os dispositivos de monitorização recolhem dados muito além da quilometragem. A forma como travamos, as horas a que conduzimos, até os percursos que fazemos - tudo fica registado. É a privacidade trocada por um desconto que, em muitos casos, nem chega aos 10%.

E depois há o eterno problema da sinistralidade. As seguradoras queixam-se dos custos, mas raramente mencionam que Portugal tem uma das taxas de lucro mais elevadas do setor na Europa. Enquanto isso, os condutores com histórico limpo pagam pelos excessos dos outros através de prémios inflacionados.

As novas regras de responsabilidade civil, que entram em vigor no próximo ano, trazem outra camada de complexidade. O limite mínimo sobe para valores que poucos conhecem, e as exceções multiplicam-se. Um acidente em viagem de trabalho pode não estar coberto pela apólice pessoal, mas essa informação chega ao condutor apenas quando já é tarde demais.

Os jovens condutores enfrentam barreiras ainda maiores. Com prémios que chegam a ser o triplo dos praticados a condutores experientes, muitos optam por circular sem cobertura. É um risco calculado que, quando corre mal, se transforma em tragédia familiar. As seguradoras argumentam com estatísticas, mas esquecem-se de mencionar que os seus próprios modelos de cálculo perpetuam o problema.

A digitalização trouxe agilidade, mas também novas armadilhas. As apólices online parecem mais baratas até percebermos que excluem coberturas básicas. O assistente virtual que promete ajudar na escolha está programado para sugerir as opções mais lucrativas para a seguradora, não as mais adequadas ao cliente.

E no meio deste labirinto, há uma luz: a comparação de seguros tornou-se mais acessível. Plataformas independentes permitem analisar dezenas de propostas em minutos. Mas atenção - muitas dessas plataformas recebem comissões das seguradoras, o que pode influenciar os resultados.

O futuro passa pela personalização extrema. Já há seguros que ajustam o prémio em tempo real conforme o trânsito, o estado das estradas e até a meteorologia. Parece futurista, mas está mais próximo do que imaginamos. A questão é saber quem beneficia com tanta personalização: o condutor ou a seguradora?

Enquanto esperamos por regulamentação mais clara, a melhor defesa continua a ser a informação. Ler a apólice antes de assinar, questionar o que não se percebe, comparar propostas - são gestos simples que podem poupar milhares de euros e muitas dores de cabeça.

O seguro automóvel deixou de ser um mero requisito legal para se tornar um produto financeiro complexo. E como em qualquer investimento, o desconhecimento tem um preço. Um preço que, no caso dos seguros, pagamos todos os meses sem saber exatamente porquê.

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