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Seguro automóvel: o que as seguradoras não querem que saibas sobre a subida dos prémios

A cada renovação do seguro automóvel, o mesmo ritual: o envelope chega pelo correio, abrimos com expectativa, e lá está – mais uma subida no prémio. Não é por acaso, nem é apenas a inflação. Há um ecossistema complexo por trás destes aumentos, e as seguradoras preferem mantê-lo nas sombras.

Vamos começar pelos dados que ninguém mostra. Segundo fontes do setor, os sinistros com veículos elétricos custam, em média, 30% mais do que os com veículos a combustão. A bateria, sozinha, pode representar metade do valor do carro. Quando um Tesla ou um Renault Zoe sofre um acidente, a conta é astronómica. E quem paga? Todos nós, nos prémios coletivos.

Mas não são apenas os elétricos. A tecnologia embarcada nos carros modernos transformou pequenos toques em despesas de milhares de euros. Um sensor de estacionamento danificado num BMW série 1 pode custar mais de 500 euros só na peça. Os para-choques, outrora simples peças de plástico, estão agora repletos de sensores de radar e câmaras. Um pequeno embate traseiro tornou-se num pesadelo financeiro.

E depois há o fator humano, ou melhor, a falta dele. As seguradoras têm algoritmos que analisam não apenas a nossa sinistralidade, mas também o nosso código postal. Morar num bairro com maior densidade populacional ou com estatísticas de criminalidade mais elevadas pode aumentar silenciosamente o prémio. É a segregação digital, invisível mas real.

O mercado paralelo de peças usadas e recondicionadas é outro tabu. Enquanto as seguradoras insistem em peças novas originais para as reparações, há toda uma economia informal que oferece alternativas a 70% do preço. Em países como a Alemanha, esta prática é comum e regulada. Em Portugal, é território proibido, mantendo os custos artificialmente altos.

Finalmente, o grande segredo: a rentabilidade das seguradoras não depende apenas dos prémios que cobram. Os investimentos que fazem com o nosso dinheiro – enquanto aguardam a eventualidade de um sinistro – representam frequentemente mais lucro do que a própria atividade seguradora. Em anos de bons retornos nos mercados financeiros, as seguradoras poderiam baixar prémios. Mas preferem não o fazer.

A próxima vez que receber a renovação do seguro, lembre-se: está a pagar não apenas pelo risco do seu carro, mas por todo um sistema que prefere a opacidade à transparência. E talvez seja altura de questionar, negociar, ou simplesmente mudar. Porque no silêncio das subidas anuais, ecoa o som das oportunidades perdidas de um mercado mais justo.

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