Seguros

Energia

Serviços domésticos

Telecomunicações

Saúde

Segurança Doméstica

Energia Solar

Seguro Automóvel

Aparelhos Auditivos

Créditos

Educação

Paixão por carros

Seguro de Animais de Estimação

Blogue

Seguros em Portugal: o que os portugueses ainda não sabem sobre proteger o seu futuro

Num país onde a palavra 'seguro' muitas vezes evoca imagens de burocracia e prémios mensais, a realidade está longe de ser tão cinzenta. A verdade é que os portugueses continuam subprotegidos em áreas críticas da sua vida, desde a habitação até à saúde, enquanto as seguradoras desenvolvem produtos que poucos conhecem.

A crise habitacional que assola o país esconde um dado alarmante: cerca de 40% das casas em Portugal não têm seguro multirriscos. Muitos proprietários assumem que o seguro é um luxo, não uma necessidade, ignorando que um incêndio ou uma inundação pode apagar décadas de poupanças num instante.

No sector automóvel, a história repete-se com nuances diferentes. Os condutores portugueses tendem a optar pelos seguros mais baratos, muitas vezes sem compreender as coberturas excluídas. O que poucos sabem é que uma apólice de 200 euros pode deixá-los a pé numa situação de acidente com terceiros não identificados.

A saúde representa talvez o paradoxo mais interessante. Num país com um Serviço Nacional de Saúde sobrecarregado, os seguros de saúde são vistos como artigo de luxo quando, na verdade, estão mais acessíveis do que nunca. Planos básicos por menos de 20 euros mensais podem significar a diferença entre esperar seis meses por uma consulta ou ser atendido em 48 horas.

O digital veio revolucionar o sector, mas a adopção ainda é lenta. A maioria dos portugueses continua a preferir o contacto humano para comprar seguros, desconfiando das plataformas online que, ironicamente, oferecem preços até 30% mais baixos que os canais tradicionais.

Os seguros de vida permanecem o parente pobre da protecção financeira. Muitas famílias portuguesas não têm qualquer cobertura, deixando os seus dependentes vulneráveis em caso de fatalidade. O que poucos compreendem é que um seguro de vida não é um produto para morrer, mas sim para garantir que quem fica pode continuar a viver com dignidade.

O mercado de seguros para pequenas empresas é outra área de oportunidades perdidas. Muitos empreendedores focam-se no seguro de acidentes de trabalho obrigatório e esquecem-se de proteger-se contra quebras de stock, responsabilidade civil ou até interrupção de negócio.

As alterações climáticas trouxeram novos riscos que as seguradoras já estão a contabilizar. Zonas costeiras outrora consideradas seguras enfrentam agora prémios mais elevados devido ao risco de inundação, enquanto os incêndios florestais forçam reavaliações constantes dos valores das apólices em zonas rurais.

A fraude nos seguros custa aos portugueses honestos milhões de euros anualmente, com prémios mais elevados a reflectirem as perdas das seguradoras. Desde acidentes encenados até sinistros exagerados, a criminalidade no sector insurance é mais comum do que se imagina.

O futuro dos seguros em Portugal passa pela personalização extrema. Tecnologias como a telemetria nos automóveis ou wearables na saúde permitirão prémios ajustados ao comportamento real de cada pessoa, premiando os cuidadosos e penalizando os negligentes.

O desafio maior não é tecnológico, mas cultural. Enquanto os portugueses não internalizarem que o seguro é uma ferramenta de planeamento financeiro e não uma despesa, continuarão subprotegidos face aos riscos reais do século XXI.

Tags